O estudo na Mansão era fascinante, mas reclamava tempo. No entanto, a
oportuni dade que nos fora oferecida era das mais valiosas.
Hilário e eu solicitamos o assentimento das autori dades a que devíamos
consideração e efetuamos proveitosa entrosagem de serviços, permanecendo sediados
no instituto por alguns meses, de maneira a recolher ensinamentos e fixar observações.
Foi assim que nos dispusemos a partilhar com Silas o trabalho atinente ao
"processo Antônio Olímpio", a cuja fase inicial assistíramos com fervoroso interesse.
Após seis dias sobre a reunião em que ouvimos a palavra de Sânzio, o grande
Ministro, a irmã Alzira veio ao estabelecimento, em obediência ao programa que Druso
passou a traçar para as tarefas que lhe diriam respeito.
Designado pelo diretor da casa, Silas recebeu-a em nossa companhia, alegando
que, juntos, atenderíamos ao problema, agindo em cooperação. A nobre criatura, depois
das saudações usuais, esclareceu-nos que, amparada por amigos de certa colônia
socorrista, fazia o possível por ajudar ao filho que deixara na Terra. Luís, cujo espírito
se afinava com os antigos sentimentos paternos, apegando-se aos lucros materiais
exagerados - informou-nos a interlocutora -, sofria tremenda obsessão no próprio lar.
Sob teimosa vigilância dos tios desencarnados, que lhe acalentavam a
mesquinhez, detinha larga fortuna, sem aplicá-la em coisa alguma. Enamorara-se do
ouro com extremada vol úpia. Submetia a esposa e dois filhinhos, às mais duras
necessidades, receoso de perder os haveres que tudo fazia por defender e multiplicar.
Clarindo e Leonel, não satisfeitos com lhe seviciarem a mente, conduziam para a
fazenda usurários e tiranos rurais desencarnados, cujos pensamentos ainda se
enrodilhavam na riqueza terrestre, para lhe agravarem a sovinice. Luís, desse modo,
respirava num mundo de imagens estranhas, em que o dinheiro se erigia em tema
constante.
Perdera, por isso, o contacto com a dignidade social. Tornara-se inimigo da
educação e acreditava tão-somente no poder do cofre recheado para solucionar as
dificuldades da vida.
Adquirira o doentio temor de todas as situações em que pudessem surgir
despesas inesperadas. Possuía grandes somas em estabelecimentos bancários que a
própria companheira desconhecia, tanto quanto mantinha em custódia no lar enormes
bens. Fugia deliberadamente à convivência afetiva, relaxara a própria apresentação
individual e encravara-se em deplorável misantropia, obcecado pelo pesadelo do ouro
que lhe consumia a existência.
fonte retirado do livro :AÇÃO E REAÇÃO
Francisco Cândido Xavier
Ditado pelo espírito André Luiz
