Há inferno, céu e purgatório?
O céu ou o inferno, como lugar circunscrito, não existe. Allan Kardec, em "O Céu e o
Inferno", nos diz que o céu, o purgatório e o inferno são estados de consciências e não
um lugar físico. Evidente que através das afinidades de pensamentos, os Espíritos
agrupam-se em determinadas regiões do mundo astral, dando origem a ambientes
agradáveis, de sofrimento ou conturbados, que caracterizaram e deram origem aos
termos usados no catolicismo.
Existem anjos e demônios?
Deus que é soberanamente justo e bom, não poderia ter criado criaturas destinadas
infinitamente a permanecer no mal, como também ter criado Espíritos perfeitos desde
sua origem, sem que eles fizessem nenhum esforço para isso. Todos os Espíritos são
criados simples e ignorantes e, através das experiências, vai adquirindo saber e
moralidade até atingir a perfeição. Em sua trajetória evolutiva permanece na ignorância
por algum tempo, vivendo as experiências do bem e do mal, dependendo de seu livre
arbítrio. Os demônios é a denominação que foi dada para Espíritos que ainda não
evoluíram moralmente, e que se comprazem no mal, mas que um dia perceberão seus
erros. Os anjos são Espíritos puros, que já evoluíram moral e intelectualmente, através
de seus esforços desde a sua criação. Só assim se explica a bondade e a justiça de
Deus.
Os Espíritos, que não necessitam mais da matéria continuam com o perispírito no plano
espiritual?
Sim, continuam a necessitar dele. Aprendemos com a Doutrina Espírita que o corpo
espiritual se eteriza na medida em que o Espírito evolui na senda do progresso. O
perispírito é necessário à manifestação da individualidade no mundo espiritual. Na
encarnação é elo entre o Espírito e matéria. Quando desencarnados podemos dizer que
é o próprio Espírito se manifestando plenamente. Mais subsídios podem ser
encontrados em A Gênese, capítulo XIV, itens 7 a 12.
Como os Espíritos se locomovem?
Os Espíritos esclarecidos se locomovem através do pensamento. Movimentam-se mais
ou menos rápido dependendo da evolução de cada um. Os Espíritos pouco adiantados
se movem no mundo invisível, como o fazem os homens na Terra.
Os Espíritos podem nos visitar?
Freqüentemente o fazem. Nunca estamos sozinhos. Os bons Espíritos procuram nos
ajudar através da intuição, e os maus nos trazem influências que nos perturbam o
equilíbrio (obsessões). O hábito da oração e vigilância constantes nos faz menos
sujeitos às más influências.
O que acontece com o nosso Espírito quando dormimos?
No descanso do corpo físico, o Espírito desprende-se e aproveita para retomar
parcialmente sua relativa liberdade, permanecendo ligado ao corpo físico por um cordão
fluídico/energético. Dependendo de seus interesses e evolução poderá aproveitar estes
momentos para visitar outras esferas espirituais onde terá oportunidade de aprender e
trocar idéias com seres que com ele se afinizam. Pode também visitar amigos que estão
no plano físico ou no plano espiritual. Se são Espíritos excessivamente apegados a Mensagens, Ensinamentos e Preces da Doutrina Espírita 17
matéria, poderão buscar ambientes mundanos para se satisfazerem. Se ao despertar
sentimos paz e alegria, é que estivemos em boas companhias, mas se acordamos de
mau humor, cansados e oprimidos, é porque estivemos com Espíritos ignorantes.
Portanto devemos ter como hábito, antes de dormir, orar a Deus e aos bons Espíritos
para que, durante o sono, nossa Alma possa estar em sintonia com os planos elevados
da Criação.
Os Espíritos ao desencarnarem conservariam intacta suas auras externas ? Seriam
ainda emanações de seu perispírito?
Aura é um termo utilizado no meio espírita, originada do esoterismo, e se refere à
atmosfera fluídica criada em torno da pessoa pelas emanações energéticas do seu
corpo espiritual. Allan Kardec não deu atenção a isso na Codificação, por se tratar de
assunto de pouca importância para a compreensão da ciência dos fluidos. A "aura" nada
mais é do que um efeito, causado pela irradiação íntima do Espírito. Não, a "aura" não é
uma emanação do perispírito que, por si mesmo, nada é, a não ser uma massa fluídica
estruturada pelo Espírito com sua projeção interior, para se manifestar no mundo
exterior.
Quando desencarnamos, sendo levados para as colônias socorristas, teria como nossos
entes queridos ficarem sabendo em qual delas nos encontramos?
Se forem entes desencarnados, isso dependerá da afinidade espiritual existente entre o
nosso Espírito e os deles. Também se deverá levar em conta a condição evolutiva de
cada um. Se são pessoas muito diferentes em moralidade, certamente irão para lugares
distintos. Os mais atrasados podem desconhecer onde estão os mais adiantados. Os
que nos precederam, dependendo de suas condições espirituais, poderão nos amparar
no momento do desencarne e, evidentemente, saber para onde vamos.
Se a informação refere-se aos entes que ficaram no mundo material, eles poderão saber
as condições do Espírito desencarnado, ou o lugar onde se encontra, evocando-o numa
sessão prática de Espiritismo feita por grupos sérios.
O que acontece ao nosso anjo da guarda quando desencarnamos?
O anjo de guarda é um Espírito protetor de uma ordem elevada que Deus, por sua
imensa bondade, coloca ao nosso lado, para nos proteger, nos aconselhar e nos
sustentar nas lutas da vida. Cumprem uma missão que pode ser prazerosa para uns e
penosa para outros, quando seus protegidos não os ouvem seus conselhos.
Quando desencarnamos, ele também nos ampara e freqüentemente o reconhecemos,
pois, na verdade, o conhecemos antes de mergulhar na carne. Claro que tudo depende
da condição evolutiva da pessoa em questão. O anjo da guarda poderá também nos
guiar em outras experiências, por muitos e muitos tempos.
Como o Espírito recém desencarnado recebe um novo envolvimento amoroso de sua
esposa, ainda encarnada no mundo material? Ele não o aceita? Poderá interferir nessa
relação? Há um tempo de espera, para que o cônjuge encarnado possa ter novo
relacionamento sem magoar quem já desencarnou?
Quando o Espírito se desprende da carne, ele entra em uma outra dimensão de vida
que é a vida espiritual. Lá, terá um nova percepção das coisas, tendo um raciocínio mais
livre, mais pleno, pois não está mais confinado aos limites da matéria. Compreende que
viverá outros aprendizados e que os afetos deixados na vida terrena igualmente terão
também experiências necessárias ao progresso individual e coletivo. Entretanto, se ele
for um Espírito pouco adiantado, permanecerá preso ao seu mundo mental, vivenciando
as situações que vivia quando em vida, principalmente se cultivou paixões e
sentimentos de posse exacerbados.
Poderá com isso sofrer, se seus entes queridos agem com desinteresse afetivo por ele,
se entram em disputa por heranças ou mesmo se seus “amores” interessam-se por
outras pessoas. Poderá interferir na vida das pessoas, muitas vezes originando
processos obsessivos. Mensagens, Ensinamentos e Preces da Doutrina Espírita 18
Neste caso, deve-se procurar ajuda espiritual numa casa espírita kardecista, para que o
problema seja devidamente equacionado. Claro, essas situações de perturbações são
de exceção. Normalmente o que se observa é a compreensão por parte de quem partiu.
Não há um tempo específico que seja adequado para que se tenha novo envolvimento
amoroso. Vai depender da situação de cada criatura. Nas relações verdadeiras, sinceras
e duradouras, geralmente quando um parte o outro permanece um bom tempo sem que
encontre substituição em seu coração, quando não opta por permanecer sozinho.
Entretanto, nas relações difíceis, que são maioria esmagadora no planeta, a perda não
se constitui em problema. Todas essas coisas são regidas pelos sentimentos. O tempo,
neste caso, é o que menos importa.
